Em 2025, as reformas em prédios históricos têm tomado cada vez mais espaço no mercado arquitetônico nacional. Segundo a pesquisa “Circularity in the Built Environment: Unlocking Opportunities in Retrofits“, publicada no World Economic Forum (WEF), o fenômeno do ‘retrofitting’ – processo de modernização em edifícios antigos, é capaz de reduzir os custos de construção em até 77% e as emissões de carbono em até 75%, no comparativo à construção de um novo prédio.
Entre os benefícios da modernização, a pesquisa mostra que o cronograma das obras encurtou de maneira significativa, além de sintetizar os gastos com insumos. Para se ter uma noção, a WEF aponta que 80% das construções atuais ainda existirão em 2050, de modo que precisarão ser recicladas e remodeladas para uso.
Segundo projeções da organização, caso o mercado alcance a estimativa de U$ 3,9 trilhões até 2050, o ‘retrofitting’ alcançaria as metas e critérios da ‘global net-zero’. Na prática, isso significa uma redução de 500 milhões de toneladas em emissão de carbono, além da economia de U$ 600 bilhões em entulhos que seriam destinados à aterros sanitários.
Para a arquiteta e designer de interiores, Rafaela Giudice, especialista em obras rápidas e gestora do escritório BESPOKE DELA, o crescimento do ‘retrofit’ no Brasil acontece por diversos fatores estruturais, sobretudo, o baixo custo. Segundo a especialista, o fenômeno cresceu em virtude das condições sociais, demográficas, sustentáveis e econômicas, já que é financeiramente mais viável reformar um prédio antigo do que construí-lo do zero.
“Quando o assunto são os grandes centros das nossas capitais, temos aquela lembrança do passado, com regiões muito ocupadas e movimentos a qualquer hora e dia. Infelizmente hoje a maioria dos centros estão abandonados ou meramente ocupados por escritórios durante a semana, deixando ruas desertas e que geram insegurança. Quando falamos de reformas, é importante destacar que é muito mais barato reformar um prédio antigo, do que construir um do zero, além de ter muito menos impacto ambiental, é possível ser requalificado e vendido para mercados de classes mais altas, revelando uma tendência e uma reocupação de espaços lindos, históricos e repletos de personalidade”, explica.
Entre os motivos que levam à escolha do ‘retrofitting’, Rafaela destaca os ganhos estéticos, emocionais e econômicos. Esses imóveis, na visão da arquiteta, costumam ter pés direitos altos, vão largos, janelas amplas e pisos de madeira, moldando verdadeiros investimentos para os futuros proprietários.
“Os imóveis carregam a história dos seus moradores. É mágico descobrir pisos de madeira escondidos e paredes de tijolinhos camufladas. São os pequenos elementos e detalhes que contam toda uma nova história da época em que aquele espaço foi construído. Nosso desafio é revisitar a história daqueles que estiveram ali e construir uma história para os que chegam agora. Quando o/a cliente topa viver essa jornada, temos ainda mais espaços criativos e de memórias”, conta.
De acordo com a gestora do escritório BESPOKE DELA, as maiores dificuldades enfrentadas nos projetos, são as renovações nas áreas hidráulicas e elétricas, sendo estas mais trabalhosas para incluir ar-condicionados e água quente, por meio de gás, exigindo um cuidado redobrado nas reformas. Especialista no assunto, no atual portfólio assinado por Rafaela Giudice, o ‘retrofitting’ está presente no Projeto Conquista; Projeto Primavera; Projeto Helena; Projeto Volpi; Projeto Cheio de Bossa e o Projeto Amoroso, evidenciando uma tendência sobre como os moradores podem redescobrir um espaço e suas surpresas.
“Eu gosto de trazer alguns projetos que exemplificam bem o ‘retrofitting’, das pequenas descobertas até os valores que esses imóveis podem chegar. O “Projeto Conquista” é uma casa de vila, onde o piso estava coberto por um carpete horroroso e sujo, e, embaixo, tínhamos um taquinho intocável, combinando com as paredes de tijolinhos. No “Projeto Helena”, tínhamos um apartamento com três quartos, um banheiro social e um banheiro de serviço, que deram lugar a um dois quartos, sendo uma suíte com um super closet que foi vendido em menos de 10 dias com um lucro líquido de 33%. Assim nós contamos histórias preservando a história e adaptando à modernidade”, conclui.