O mercado imobiliário de São Paulo vive um momento histórico, com um volume recorde de lançamentos em 2024. De acordo com dados do Secovi-SP, foram colocadas no mercado mais de 104 mil novas unidades habitacionais, um crescimento expressivo de 43% em relação ao ano anterior. Esse número supera o recorde anterior, registrado em 2021, demonstrando a força do setor, mesmo diante de desafios econômicos e regulatórios.
Um dos principais responsáveis por esse avanço foi o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que representou 63% dos novos empreendimentos. Em comparação com o ano passado, quando o programa respondia por 50% dos lançamentos, o crescimento do MCMV foi notável, reforçando seu impacto na democratização do acesso à moradia.
O aumento expressivo dos lançamentos voltados ao MCMV também se deve a incentivos governamentais e condições facilitadas de financiamento. No entanto, o segmento de médio e alto padrão enfrentou desafios, especialmente devido a mudanças no zoneamento e no Plano Diretor, que impactaram o ritmo dos lançamentos.
Outro fator que marca essa nova fase do mercado é o tamanho reduzido das unidades lançadas. Cerca de 83% dos imóveis introduzidos no mercado em 2024 possuem menos de 45 metros quadrados, consolidando uma tendência de compactação dos espaços habitacionais. Além disso, 22% das unidades contam com menos de 30 metros quadrados, evidenciando uma preferência por imóveis mais acessíveis, tanto para moradia quanto para investimento.
Especialistas apontam que essa mudança no perfil das unidades reflete um cenário econômico incerto e um novo comportamento do comprador. Pequenos investidores veem nesses imóveis uma oportunidade para rentabilizar capital, seja por meio de locação tradicional ou aluguel de curta temporada. No entanto, há desafios para aqueles que buscam esses espaços como moradia principal, uma vez que muitos desses empreendimentos oferecem infraestrutura reduzida, sem gás encanado ou lavanderia interna.
A concentração dos lançamentos imobiliários também revela mudanças na dinâmica urbana de São Paulo. Nos segmentos de médio e alto padrão, distritos como Vila Mariana e Itaim Bibi se destacam, concentrando uma parcela significativa dos novos empreendimentos. Já no caso do MCMV, regiões como Barra Funda e Santo Amaro têm atraído um número expressivo de lançamentos.
Para compensar a redução das metragens, muitos empreendimentos passaram a investir em áreas comuns mais completas, oferecendo espaços como coworkings, academias e áreas de lazer, buscando atender às novas necessidades dos moradores.
Apesar do desempenho positivo em 2024, especialistas apontam que o futuro do setor ainda traz incertezas. A expectativa é de uma possível retração nas concessões de crédito imobiliário em 2025, impactada pelo cenário econômico e pela variação das taxas de juros.
O crescimento expressivo dos lançamentos em São Paulo demonstra a resiliência do mercado imobiliário, mas também reforça desafios como a necessidade de adaptação às novas demandas dos consumidores e às mudanças regulatórias. Nos próximos anos, o setor deverá equilibrar inovação, acessibilidade e desenvolvimento urbano sustentável para manter sua trajetória de expansão.
Profissional certificado Especialista em Crédito Imobiliário. Possui MBA em Gestão de Processos e mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro e imobiliário, principalmente como Correspondente Bancário.