O mercado imobiliário está passando por uma transformação significativa, impulsionada por critérios ESG (Environmental, Social and Governance). Incorporadoras, construtoras e investidores que adotam práticas sustentáveis não apenas minimizam riscos ambientais e regulatórios, mas também aumentam a atratividade de seus empreendimentos. Afinal, imóveis sustentáveis tendem a ser mais valorizados, reduzir custos operacionais e gerar impacto positivo na sociedade.
Após 15 anos promovendo a cultura de construções sustentáveis no Brasil, o mercado está evoluindo rapidamente para atender a investidores cada vez mais atentos aos princípios ESG. Mais do que um simples selo, esses investidores buscam compreender a estratégia do fundo em relação aos impactos ambientais, sociais e de governança, além da mentalidade dos gestores à frente das decisões.
Esse novo perfil de investidor deseja acompanhar de perto as políticas adotadas e, quando necessário, influenciar diretamente as gestoras na implementação de sistemas e metodologias que integrem efetivamente os critérios ESG na análise, gestão e administração dos investimentos.
Atualmente, as gestoras de ativos e fundos imobiliários que pretendem captar esse capital já percebem que ESG é uma cultura corporativa. Aplicar esses princípios apenas em produtos específicos, sem alinhá-los a toda a estratégia de investimento da organização, pode gerar a percepção de greenwashing.
No setor imobiliário, os maiores avanços em ESG podem ser alcançados em empreendimentos ainda em fase de construção ou que passarão por retrofit, pois permitem uma adaptação mais profunda aos padrões sustentáveis. No entanto, mesmo em ativos já em operação, há um enorme potencial para melhorias, garantindo impactos positivos tanto para os investidores quanto para o mercado como um todo.
1) O que é ESG no Setor Imobiliário?
O conceito ESG engloba práticas ambientais, sociais e de governança dentro das empresas e projetos. No setor imobiliário, isso se traduz em:
✅ E (Ambiental): Uso eficiente de recursos naturais, redução de emissões de carbono, construção sustentável e certificações como LEED e EDGE.
✅ S (Social): Projetos que promovem acessibilidade, qualidade de vida e impacto positivo nas comunidades.
✅ G (Governança): Transparência, conformidade regulatória e boas práticas na gestão empresarial.
2) Valorização e Atração de Investimentos
Os empreendimentos sustentáveis têm se tornado mais atrativos para investidores institucionais e fundos imobiliários, esta atração se justifica pela redução de riscos e aumento do ativo na hora da venda. Empresas comprometidas com o ESG tendem a ser vistas como mais sustentáveis, aumentando o valor dos ativos, com isso, o mundo dos investimentos passou a perceber que priorizar os valores ESG, significa também valorizar financeiramente determinados ativos.
Para além da valorização frente aos fundos imobiliários, impossível não falarmos sobre a mudança dos consumidores atuais. As novas gerações ingressando no mercado imobiliário, tem se preocupado cada vez mais com o meio ambiente e com posições saudáveis das empresas das quais consomem.
Tecnologia, sustentabilidade, design inteligente e uso eficiente dos espaços, sem dúvida alguma é uma aposta assertiva para o futuro dos empreendimentos, e, com efeito, a sustentabilidade afetando grandemente o mercado de imóveis de luxo.
A sustentabilidade nos imóveis de alto padrão transcende a questão estética ou de status. Além de minimizar os impactos ambientais, uma construção sustentável proporciona vantagens concretas, como maior qualidade do ar, conforto térmico e acústico, além da otimização do consumo de água e energia.
Esses diferenciais não apenas elevam a experiência de moradia, mas também representam um compromisso com um estilo de vida mais responsável, promovendo o bem-estar dos moradores e contribuindo para a preservação ambiental a longo prazo.
Alguns fatores que impulsionam essa valorização incluem:
Maior demanda por imóveis verdes – Consumidores e empresas priorizam espaços sustentáveis.
Redução de custos operacionais – Eficiência energética e reaproveitamento de recursos diminuem despesas.
Menor risco regulatório – Projetos alinhados com políticas ambientais evitam sanções e restrições futuras.
3) Créditos de Carbono e Monetização da Sustentabilidade
Uma oportunidade pouco explorada no mercado imobiliário é a geração e comercialização de créditos de carbono, regulamentada no Brasil a partir da Lei 15.042/2024 com a criação do Sistema Brasileiro de Comércio e Emissões de Gases de Efeito Estufa.
Empreendimentos que adotam medidas como energia renovável, áreas de reflorestamento e construção sustentável podem vender esses créditos no mercado voluntário, criando uma nova fonte de receita e tornando os projetos ainda mais lucrativos.
Este mercado no Brasil tem ganhado relevância no setor imobiliário, incorporadoras e construtoras estão percebendo que a redução de emissões de CO₂ pode gerar não apenas benefícios ambientais, mas também oportunidades financeiras, por meio da comercialização de créditos de carbono.
Projetos que adotam materiais ecológicos, eficiência energética e soluções inovadoras para reduzir o impacto ambiental podem se tornar elegíveis para a geração desses créditos, agregando valor aos empreendimentos.
Além disso, com a regulamentação do mercado de carbono no Brasil em andamento, a tendência é que empresas do setor imobiliário precisem se adaptar a novas exigências e explorem formas de monetizar a sustentabilidade.
Com a regulamentação e criação do órgão regulador SBCE, as empresas serão supervisionadas a fim de garantir a integridade destes créditos; ademais, e a partir desta fiscalização, as empresas deverão relatar anualmente suas emissões, promovendo maior transparência neste sentido.
4) Como Incorporadoras e Construtoras Podem se Adaptar?
Listamos algumas sugestões para incorporar ESG de forma estratégica, empresas do setor imobiliário:
Ressaltando que, quando falamos de medidas ESG, não nos limitamos somente à sustentabilidade e meio ambiente, mas necessário frisar os outros dois pilares que sustentam este conjunto de práticas.
O pilar Social considera a relação da empresa com os colaboradores e sociedade, avaliando seu impacto social, garantia e respeito aos direitos humanos, boas práticas de emprego, diversidade e inclusão, além do comprometimento com a segurança, bem-estar e saúde dos funcionários.
Já o pilar de governança, diz respeito à gestão de processos, com foco na transparência na comunicação de decisões e ações, liderança estável, responsabilidade corporativa, ética e integridade, cumprimento de leis e normas, dentre outros. Este pilar deve ser observado para além das pessoas de direito privado, mas também pela administração pública pelos gestores.
Precisamos ter em mente que as ações ESG foram criadas para alcançarmos um futuro mais justo e responsável, aliando o mercado de capitais aos fatores sociais, ambientais e de governança. Com a criação da “sigla”, o ex-secretário da ONU, Kofi Annan, desafiou 50CEOs de grandes instituições financeiras a integrar estes três fatores, e com isso a concepção das medidas.
O objetivo é avaliar e estimular a consciência das empresas não só como empregadoras e operadores econômicos, mas também como agentes sociais.
Conclusão
A sustentabilidade não é mais uma tendência, mas uma necessidade. Incorporadoras e construtoras que investem em ESG não apenas atendem às novas exigências do mercado, mas também conquistam investidores, aumentam a valorização de seus empreendimentos e garantem um futuro mais rentável e sustentável para seus negócios.
Indubitavelmente o futuro é sustentável, e, sendo o setor da construção civil grande poluente, considerando o alto consumo de energia, má gestão de recursos hídricos e resíduos sólidos, além da emissão de gases de efeito estufa; natural que ao longo do tempo, sejam adotadas medidas para mitigar estes impactos, e, como tudo na vida, imperioso se adequar para não ficar para trás.
A adoção de práticas ESG e a crescente preocupação com o meio ambiente tem se tornado fundamental para o mercado imobiliário e a construção civil. Empresas que investem em sustentabilidade e inovações, não apenas atendem às exigências do mercado, mas também ganham a confiança de investidores, consumidores e outras partes interessadas. A integração de critérios ambientais, sociais e de governança nas decisões estratégicas reflete um compromisso com o futuro, além de oferecer um diferencial competitivo no setor.
Com a evolução das regulamentações e a crescente demanda por soluções verdes, o setor tem a oportunidade de se posicionar como um agente transformador, gerando impactos positivos tanto para os negócios quanto para o meio ambiente.
Assim, incorporar a sustentabilidade no DNA dos projetos imobiliários é mais do que uma tendência: é uma necessidade para o sucesso em longo prazo.
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Advogada, sócia fundadora do Escritório Alves Penello Advocacia e Consultoria, especialista em Direito Imobiliário com mais de 10 anos de atuação.
Mestranda em Direito das Relações Econômicas e Sociais pela Instituição Milton Campos, Vice-presidente da Comissão de Direito Imobiliário OAB/MG, subseção do Barro Preto, Co-líder da Regional Minas Gerais do Instituto Mulheres do Imobiliário e Secretária AMADI Mulher.