Segundo dados divulgados pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o financiamento imobiliário com recursos da poupança (SBPE) totalizou R$ 13,48 bilhões em janeiro de 2025, um crescimento de 40,3% em comparação com janeiro de 2024.
Esse avanço expressivo aconteceu mesmo com a taxa Selic em patamar elevado — mantida em 11,75% ao ano em janeiro de 2025, após ter fechado 2024 em 12,25%. Isso mostra que, apesar do ambiente de juros altos, o mercado imobiliário segue aquecido e o crédito habitacional continua em expansão.
1) Crescimento econômico e aumento da renda
A recuperação do mercado de trabalho em 2024 e o crescimento acima do esperado do PIB geraram aumento de renda e confiança nas famílias. Isso criou um ambiente mais favorável para aquisição de imóveis, mesmo com o custo do crédito ainda elevado.
2) Competição entre bancos
As instituições financeiras passaram a disputar mais os clientes de crédito imobiliário, oferecendo taxas atrativas, cashback, redução de tarifas e facilitação de análise de crédito, suavizando os impactos da Selic alta.
3) Busca por proteção patrimonial
Diante de um cenário inflacionário e de instabilidade em outros investimentos, muitos brasileiros recorreram ao mercado imobiliário como forma de proteger o patrimônio, seja para moradia ou para gerar renda com aluguel.
4) Poupança com saldo positivo
Em 2024, a poupança voltou a apresentar captação líquida positiva em diversos meses. Isso aumentou a disponibilidade de recursos para financiamento via SBPE, contribuindo para a expansão da modalidade.
Entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025, os financiamentos com recursos da poupança totalizaram R$ 190,5 bilhões, uma alta de 26,7% em relação ao mesmo período anterior. Esse dado reforça a tendência de retomada do setor, mesmo num cenário macroeconômico desafiador.
Há crédito disponível: Apesar da Selic alta, os bancos seguem liberando crédito com mais facilidade, aproveitando a demanda aquecida.
Planejamento é essencial: Com juros mais altos, é fundamental simular cenários, escolher a melhor tabela de amortização (SAC ou PRICE), avaliar o impacto das parcelas no orçamento e, sempre que possível, oferecer uma entrada maior para reduzir o custo total do financiamento.
É hora de negociar: A concorrência entre os bancos pode jogar a favor do comprador. Vale a pena buscar propostas em diferentes instituições e contar com um correspondente bancário para intermediar a melhor condição.
O crescimento de 40,3% nos financiamentos com recursos da poupança em janeiro de 2025 mostra que o mercado imobiliário brasileiro continua resiliente. Mesmo com a Selic em patamar elevado, o brasileiro segue investindo na casa própria, seja para morar, seja para proteger seu patrimônio. A dica para quem está pensando em comprar é: planeje, simule, compare e aproveite as boas oportunidades que ainda existem no mercado.
Empresario e Corretor de imóveis a 25 anos, correspondente bancário a 19 anos
Especialista em Bancos Privados
Profissional certificado
Especialista em análise de crédito