Turismo, capital e previsibilidade: segunda moradia deixa de ser custo e passa a ser estratégia patrimonial

Em um cenário de turismo mais racional e investidores em busca de previsibilidade, modelos híbridos de uso e renda avançam. E o litoral do Piauí entra nesse radar

 

O conceito tradicional de segunda moradia no Brasil está passando por uma transformação. O imóvel de veraneio, historicamente associado a uso esporádico, baixa eficiência econômica e alta fricção operacional, começa a dar lugar a um novo modelo: a segunda moradia administrada, que combina uso pessoal, geração de renda e gestão profissional integrada.

O movimento acompanha uma mudança estrutural no comportamento de famílias e investidores. De um lado, cresce a demanda por férias mais previsíveis e menos operacionais, especialmente nos meses de dezembro e janeiro, quando o deslocamento em massa pressiona destinos turísticos. De outro, o investidor passou a exigir que ativos imobiliários entreguem uso flexível e retorno econômico, sem a rigidez dos modelos tradicionais de locação.

Esse reposicionamento ganha força em destinos turísticos emergentes, onde o custo de entrada ainda é competitivo, mas a demanda cresce de forma consistente. É o caso do litoral do Piauí, inserido na Rota das Emoções. Dados da Secretaria de Turismo do Piauí (Setur) indicam que o estado, que recebeu mais de 1 milhão de turistas em 2024, registrou crescimento de cerca de 25% no fluxo de turistas em 2025.

“O investidor mudou. Hoje ele quer usufruir do imóvel, mas não aceita mais um ativo parado nem a complexidade da operação”, afirma Manuel Arrey, fundador do Grupo Arrey, com mais de 40 anos de atuação em hotelaria, construção civil e turismo.

O modelo de segunda moradia administrada surge justamente para resolver essa fricção. Nele, o imóvel já nasce com governança, estrutura operacional e regras claras de uso, permitindo que o proprietário escolha quando utilizar a unidade e quando colocá-la em locação de curta duração, sem assumir o risco operacional do fluxo elevado e desorganizado.

Resort residencial e previsibilidade econômica

Esse conceito se aproxima de modelos consolidados em mercados internacionais, como Flórida, Caribe e Mediterrâneo: resorts residenciais, que combinam padrão hoteleiro, serviços integrados e operação centralizada. A principal diferença em relação à locação convencional está na qualidade da diária e na estabilidade da demanda.

Empreendimentos com estrutura de resort conseguem praticar diárias significativamente mais altas do que imóveis residenciais comuns, justamente porque entregam experiência, serviços e controle do uso. Na prática, isso pode resultar em capacidade de rentabilidade até duas vezes superior à de modelos tradicionais, além de reduzir volatilidade e desgaste do ativo.

No Brasil, esse desenho começa a ganhar escala em regiões onde o turismo cresce sem saturação. O Sophia Riviera, projeto turístico-imobiliário do Grupo Arrey, em Luís Correia (PI), é um exemplo dessa nova lógica aplicada desde a concepção.

O empreendimento foi planejado com mais de 14 mil m² de áreas comuns, organização em blocos para preservar privacidade e infraestrutura pensada especificamente para suportar locação de curta temporada, sem comprometer a experiência de moradores e investidores.

Turismo, capital e decisão racional

O avanço desse modelo dialoga com um contexto macro mais amplo. Com juros elevados e maior seletividade do capital, investidores passaram a priorizar ativos que combinem uso real, geração de caixa e previsibilidade. Ao mesmo tempo, o turismo doméstico segue aquecido, impulsionado por fatores como custo do câmbio, busca por destinos menos saturados e valorização de experiências ligadas à natureza.

No litoral do Piauí, esse movimento se soma a condições naturais competitivas – ventos constantes, águas mornas, costa preservada – e a uma oferta ainda limitada de empreendimentos estruturados para atender esse novo perfil de demanda.

“O que muda não é apenas o imóvel, mas a lógica de decisão. A segunda moradia deixa de ser um custo emocional e passa a ser um ativo funcional”, resume Arrey.

Além da lógica econômica, projetos como o Sophia Riviera incorporam a noção de luxo consciente, com integração com a comunidade local e preservação de ativos naturais, como as áreas de desova de tartarugas marinhas na região.

Em um país onde o conceito de segunda moradia sempre existiu, mas raramente foi eficiente, a consolidação de modelos administrados sinaliza uma virada importante: o imóvel de veraneio passa a operar como ativo híbrido de uso, renda e estilo de vida, alinhado às novas exigências do capital e do consumo.

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