A reforma do funding imobiliário: o que muda e o que isso representa para crédito e mercado imobiliário

O sistema de financiamento imobiliário no Brasil está prestes a viver uma transformação profunda. Devido ao esvaziamento da poupança como fonte de recursos resultado de altas taxas de juros e a migração dos investidores para outros produtos, o governo e o setor financeiro aprovaram uma reforma no modelo de funding. Essa mudança tem potencial para reconfigurar o crédito habitacional, expandir o acesso ao imóvel próprio e renovar o dinamismo do mercado imobiliário.

 

O que está mudando no funding imobiliário

Até então, o sistema exigia que os bancos direcionassem pelo menos 65% dos depósitos da poupança para financiar imóveis via crédito habitacional. Além disso, parte desses recursos ficava retida como depósito compulsório no banco central.

Com as reformas recentes, o plano é:

  • Eliminar essa obrigatoriedade ou seja, os recursos da poupança deixam de estar automaticamente “amarrados” ao crédito imobiliário.
  • Reduzir gradualmente os depósitos compulsórios relacionados à poupança.
  • Permitir que os bancos usem outras fontes de captação de recursos como mercado de capitais, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) ou captações livres para conceder empréstimos habitacionais.
  • Criar um sistema mais flexível e eficiente de funding, que não dependa exclusivamente da caderneta de poupança.

Em síntese: o financiamento ganha mais fontes de recursos, diminuindo a dependência da poupança — algo fundamental diante da queda dos saldos das cadernetas.

 

Por que essa mudança é tão relevante para o setor habitacional
  • Recursos mais previsíveis e diversificados: Com múltiplas fontes de funding, os bancos têm maior flexibilidade para conceder crédito, mesmo em momentos em que a poupança está fraca.
  • Redução da pressão sobre a poupança: A diminuição da dependência da poupança reduz o risco de escassez de recursos habitacionais em razão das saídas da caderneta.
  • Potencial de expansão do crédito imobiliário: O governo define como meta, com essas mudanças, elevar a participação do crédito habitacional no PIB, aumentando a oferta de imóveis financiáveis.
  • Maior competitividade e diversidade de produtos: Com novas fontes de recursos, bancos e instituições financeiras podem oferecer diferentes modalidades de financiamento, com prazos, indexadores e amortizações mais variados.
  • Estímulo à construção civil e ao mercado imobiliário como um todo: Com mais crédito disponível, construtoras, incorporadoras, corretores e todo o ecossistema ligado à moradia devem sentir reflexos positivos.

 

O que isso representa para quem busca financiar um imóvel

Para quem vai buscar financiamento imobiliário ou para quem atua como correspondente, corretor ou consultor, a reforma pode trazer:

Mais chances de aprovação, mesmo com renda ou perfil mais modesto, já que o crédito poderá fluir por novas fontes.

Maior variedade de produtos de financiamento, com melhores condições e diferentes prazos ou indexadores.

Possibilidade de taxas mais competitivas, dependendo da captação dos bancos.

Mais previsibilidade no mercado imobiliário com oferta mais ampla de crédito, o risco de escassez de imóveis financiáveis diminui.

Necessidade de revisão de estratégias: quem atua vendendo crédito precisa atualizar simulações, prever diferentes cenários e estar atento às novas regras.

 

Pontos de atenção e desafios

Embora a reforma seja promissora, há alguns riscos e itens que merecem cautela:

A transição será gradual: durante o período de adaptação, pode haver instabilidade ou competição por recursos.

A fonte alternativa de recursos mercado de capitais, LCIs, CRIs depende de condições macroeconômicas e da atratividade do crédito imobiliário, o que impõe que bancos mantenham equilíbrio entre risco, juro e liquidez.

Mesmo com a reforma, fatores externos (juros básicos da economia, inflação, demanda, oferta de imóveis) continuarão influenciando fortemente o custo do financiamento.

O perfil de crédito do cliente, documentação, comprovação de renda e habitabilidade do imóvel continuarão sendo essenciais para aprovação.

 

Conclusão: um novo começo para o crédito habitacional

A reforma do funding imobiliário representa uma nova era para o crédito de moradia no Brasil. Ao modernizar o sistema, diversificar fontes e flexibilizar regras, o governo e o mercado anunciam um impulso importante para quem sonha com a casa própria.

Para compradores, representará mais opções, melhores condições e maior chance de acesso. Para quem trabalha com crédito correspondentes, consultores e corretores, será um momento de reinvenção e adaptação: é hora de estudar, se atualizar e aproveitar as oportunidades desse novo ciclo.

 

CONHEÇA MAIS SOBRE O AUTOR DESTE POST:

Diego Miranda

Empresario e Corretor de imóveis a 25 anos, correspondente bancário a 19 anos

Especialista em Bancos Privados

Profissional certificado

Especialista em análise de crédito

 

 

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