Imposto de Renda – organização antecipada evita problemas

A virada do ano marca o início de novo exercício fiscal. Contudo, se o anterior não for bem estruturado, causará sérias preocupações. O prazo para entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas, identificada pela sigla IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares), começa no dia 1º de abril e termina em 30 de junho. Por isso os meses de fevereiro e março são ideais para a preparação antecipada dos documentos necessários. Deixar tudo para a última hora pode ser catastrófico. Ademais, há vários prazos a serem cumpridos.

Até 16 de fevereiro, deve-se informar a duração ou cessação de contratos de alugueres de longo prazo, o que permite a obtenção de benefícios fiscais; 2 de março, prazo para informar se na família houve mudanças como: nascimento, óbito, divórcio, endereço, ou ainda de dependentes em guarda conjunta. Esta é também a data de validação de despesas no e-Fatura; de 16 a 31 de março, a RF divulga as despesas aceitas pelo e-Fatura; 31 de março é o prazo para indicar a instituição à qual o contribuinte acaso queira doar até 1% do imposto a pagar.

As falhas na organização documental e o descumprimento de prazos continuam sendo os principais motivos de retenção em malha fina. Milhões de contribuintes são afetados anualmente por inconsistências que são evitáveis com o planejamento antecipado. Informações fornecidas pelos bancos, empregadores, corretoras e prestadores de serviços são cruzadas automaticamente pela RF (Receita Federal). Isso impõe que informes sobre despesas médicas, educacionais e de investimentos têm de estar perfeitamente alinhados com os dados oficiais.

Qualquer divergência pode provocar bloqueio da declaração. Em 2025, cerca de 3,97 milhões delas foram retidas inicialmente. Ou seja, 8,7% do total enviado. Os principais motivos são: divergências com despesas médicas, omissão de rendas e diferenças no Imposto Retido na Fonte. Tais problemas surgem quando os valores declarados não coincidem com dados informados por terceiros. Para evitá-los, é necessário tratar de juntar e organizar todos os comprovantes com despesas médicas, instituições de ensino, informes de empregadores e outros.

A consistência entre os dados declarados e os registros oficiais é a chave para evitar a malha fina e garantir tranquilidade no processo. Quem investe fora do país deve manter extratos, comprovantes de remessas e documentos de empresas ou trusts rigorosamente organizados. O Banco Central cruza dados com os EUA e outros países, a fim de rastrear os capitais brasileiros no exterior. O cruzamento de informações entre países torna indispensável rigoroso controle sobre as operações internacionais, a fim de se evitarem problemas futuros.

A digitalização de documentos é um recurso que pode contribuir com maior segurança e organização. A RF aceita arquivos digitais, desde que estejam íntegros e legíveis. A manutenção de recibos, notas fiscais e informes em formato eletrônico reduz o risco de extravio, facilita o envio ao contador e permite criar um histórico organizado ao longo do ano. Essa prática garante agilidade na conferência e minimiza erros na hora da entrega. A prévia organização documental, portanto, física ou digital, faz a diferença na consecução da declaração.

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