O mercado de financiamento imobiliário no Brasil está começando a viver um momento de recuperação e maior acessibilidade, impulsionado por dois movimentos importantes: a redução de juros pelos bancos privados e a reforma no modelo de crédito imobiliário que libera mais recursos da poupança para habitação. Juntos, esses fatores podem tornar mais fácil, rápido e barato comprar um imóvel tanto para quem quer a casa própria quanto para investidores.
Nos últimos meses, diversos bancos privados de grande porte começaram a reduzir as taxas de juros em suas linhas de financiamento imobiliário, em resposta à competição crescente e à necessidade de recuperar participação no mercado.
Um exemplo recente é o Bradesco, que anunciou cortes nas taxas de juros do financiamento imobiliário e ampliou as condições de crédito para clientes no início de Janeiro de 2026 uma estratégia que demonstra que as instituições estão buscando maior atração de clientes, mesmo em um cenário de juros básicos ainda elevados.
Além disso, o Itaú Unibanco também tem ajustado suas taxas, oferecendo condições mais competitivas em certos perfis de financiamento imobiliário, tornando suas propostas mais atrativas em comparação ao passado recente.
Mesmo com a Selic ainda em níveis altos, o movimento dos bancos privados mostra que há espaço para negociar juros abaixo dos patamares mais rígidos do mercado sobretudo em linhas com maior relacionamento, prazos ajustados e apetite maior por crédito imobiliário.
Essa mudança de postura ocorre por alguns motivos principais:
Competição interna: com lançamentos de produtos mais flexíveis e oferta crescente entre instituições, os bancos privados precisam ajustar suas taxas para não perderem clientes para concorrentes.
Necessidade de impulsionar carteiras de crédito imobiliário: segundo dados recentes, as maiores instituições privadas já registraram crescimento de mais de 13% nas carteiras de crédito imobiliário para pessoas físicas no terceiro trimestre de 2025, indicando um movimento de retração moderada frente ao ano anterior e a necessidade de manter ritmo de negócios.
Demanda reprimida: com juros altos e oferta de crédito limitada, muitos compradores aguardavam condições melhores — e agora o movimento de redução representa uma oportunidade de fechar mais contratos.
Essa flexibilidade cria um ambiente mais convidativo ao crédito imobiliário, em que o comprador tem maior poder de negociação e mais opções para comparar propostas e encontrar melhores taxas.
Um aspecto estrutural que está apoiando essa tendência é a mudança no modelo do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) que é a principal fonte de funding para os financiamentos habitacionais no Brasil.
Atualmente, os bancos são obrigados a aplicar 65% dos depósitos da poupança no crédito imobiliário, manter 20% como depósito compulsório no Banco Central e liberar apenas 15% para uso livre. Com a reforma anunciada pelo governo, essas regras estão sendo gradualmente flexibilizadas, com redução do compulsório e maior liberdade de uso dos recursos da poupança.
As novas regras permitem que:
Essa transição, que deve ser concluída em 2027, prevê que os bancos possam, em determinados casos, usar os recursos captados via poupança de forma mais eficiente, direcionando mais dinheiro para financiamento imobiliário — e ajudando a reduzir os juros praticados ao consumidor final.
Juros menores significam menor custo total
Taxas reduzidas pelos bancos privados representam diretamente menos juros pagos ao longo do financiamento, o que pode fazer enorme diferença no valor total desembolsado pelo comprador.
Mais competição = melhores ofertas
Com bancos privados competindo pela preferência do cliente, as instituições tendem a oferecer melhores condições de prazo, taxas e serviços agregados, beneficiando quem pesquisa e compara propostas cuidadosamente.
Aumento do volume de crédito
Com recursos adicionais vindos do novo modelo do SBPE e maior liquidez no sistema financeiro, o volume total de crédito imobiliário pode crescer, ampliando o acesso a financiamentos para perfis diversos.
Maior confiança no mercado
Esses movimentos ajudam a recuperar a confiança no crédito imobiliário como alavanca de investimentos e aquisição de imóveis, especialmente após períodos de recessão ou restrição de crédito.
A combinação entre redução de juros pelos bancos privados e a flexibilização do modelo de SBPE que libera mais recursos da poupança para crédito imobiliário cria um cenário mais atrativo e competitivo para quem busca financiar imóvel no Brasil.
Nesse novo ambiente, é essencial que compradores façam simulações comparativas entre bancos, analisem taxas e prazos, e escolham o financiamento que melhor se encaixa em seus planos financeiros. Plataformas tecnológicas de comparação e facilitação de crédito, bem como consultores experientes, serão cada vez mais valiosos nesse processo.
O resultado é um mercado que caminha para mais acessibilidade, maior oferta de crédito e condições mais favoráveis aos compradores — uma boa notícia para quem tem o sonho da casa própria ou do investimento imobiliário em 2026 e além.

Empresario e Corretor de imóveis a 25 anos, correspondente bancário a 19 anos
Especialista em Bancos Privados
Profissional certificado
Especialista em análise de crédito