A linguagem simples no mercado imobiliário não é uma concessão ao cliente nem uma perda de técnica. Ela é uma ferramenta de trabalho que protege o corretor, a imobiliária e o próprio negócio.
O corretor atua na linha de frente da negociação. É ele quem explica o negócio, apresenta documentos, esclarece etapas e administra expectativas. Quando os contratos, comunicados e orientações jurídicas são escritos de forma fechada, cria-se um ruído entre o que foi dito, o que foi entendido e o que está efetivamente contratado. Esse ruído é a origem de muitos conflitos no mercado imobiliário.
A linguagem simples atua justamente nesse ponto. Ela organiza a informação jurídica para que o destinatário compreenda o que está sendo assumido. Não se trata de retirar conteúdo jurídico, mas de apresentar esse conteúdo de forma estruturada, direta e funcional para quem precisa tomar decisões.
No cotidiano do corretor, isso faz diferença prática. Cláusulas sobre comissão, exclusividade, prazo, desistência, sinal, condições suspensivas e responsabilidade costumam ser o foco de questionamentos posteriores. Quando essas informações estão claras desde o início, o corretor trabalha com mais segurança e menos desgaste.
Outro ponto relevante é a assimetria de informação. Muitas vezes o cliente assina acreditando que entendeu, quando na verdade apenas confiou. A linguagem simples reduz esse risco ao tornar visíveis pontos sensíveis do contrato. Isso protege o cliente e também o corretor, que passa a atuar com transparência e previsibilidade.
Do ponto de vista da imobiliária, a comunicação jurídica clara melhora a gestão. Procedimentos internos, orientações aos corretores e modelos contratuais bem escritos reduzem erros operacionais e retrabalho. O jurídico deixa de ser apenas um setor acionado em caso de problema e passa a apoiar a tomada de decisão desde o início.
É importante reforçar um ponto central. Linguagem simples não é simplificação do Direito enquanto ciência. O Direito continua técnico, preciso e estruturado. O que muda é a forma de comunicação. O objetivo não é ensinar Direito ao corretor ou ao cliente, mas permitir que compreendam o negócio que estão realizando.
No mercado imobiliário, onde decisões envolvem valores relevantes e efeitos de longo prazo, comunicar bem é parte da responsabilidade profissional. A linguagem simples contribui para relações contratuais mais equilibradas, redução de conflitos e fortalecimento da confiança.
Para o corretor, isso significa menos exposição, mais clareza na atuação e maior qualidade no serviço prestado. Para o negócio imobiliário, significa segurança e sustentabilidade.

Advogada especializada em Direito Imobiliário, é sócia fundadora de um escritório de advocacia com atuação voltada à assessoria jurídica no mercado imobiliário. Com sólida experiência na área, também atua como Membro Relatora da Comissão de Direito à Cidade e da Comissão de Compliance e Governança Jurídica da OAB/PR.
Teve passagem pela CEFISP – Comissão de Ética e Fiscalização do Exercício Profissional do CRECI-PR, contribuindo ativamente para a regulação e boas práticas do setor. Reconhecida por sua atuação técnica e ética, é referência em consultoria jurídica para incorporadoras, construtoras, imobiliárias e investidores do setor.