Por Flávia Pinheiros
O mercado imobiliário sempre foi um campo que exigiu preparo. Durante muito tempo, a formação profissional seguia um caminho claro: estudo técnico, especialização, participação em entidades de classe e convivência com profissionais mais experientes. A prática vinha acompanhada de formação. O reconhecimento, com o tempo.
Nos últimos anos, esse cenário mudou. A multiplicação de mentorias, cursos rápidos e certificações criou a ilusão de que é possível “acelerar” uma carreira no mercado imobiliário. A promessa é sedutora. A consequência, nem sempre.
A pergunta que muitos profissionais fazem hoje é direta: vale mais a pena investir em mentoria ou em certificação? A resposta exige mais reflexão do que escolha de formato.
Mentoria é legítima quando conduzida por quem tem trajetória, experiência e responsabilidade. O problema surge quando ela passa a substituir a formação estruturada. Decisões imobiliárias não envolvem apenas números. Envolvem famílias, patrimônio, memória e conflitos que exigem preparo técnico e sensibilidade.
A formação superficial é especialmente perigosa nesse mercado. Profissionais que consomem conteúdo rápido podem até ganhar agilidade, mas dificilmente constroem repertório suficiente para sustentar decisões complexas. E, no setor imobiliário, o erro raramente afeta apenas quem erra.
Quem constrói carreira de verdade entende que experiência prática é indispensável, mas não basta. Busca ambientes de estudo onde o conhecimento é debatido, confrontado com a realidade e aprofundado ao longo do tempo. Prefere formação validada a promessas rápidas. Entende que reputação se constrói com consistência, não com atalhos.
É nesse tipo de ambiente institucional que se inserem iniciativas como a Academia Brasileira do Mercado Imobiliário e Patrimonial (ABMIP) — não como curso ou promessa, mas como um ecossistema de estudo e troca entre profissionais experientes, com formação sólida e vivência real do mercado imobiliário e patrimonial. Em contextos assim, a certificação surge como consequência de um percurso sério de formação, muitas vezes desenvolvido em parceria com instituições de ensino reconhecidas, inclusive com chancela do MEC quando aplicável.
No mercado imobiliário, certificação não deveria ser argumento de marketing. Deveria ser proteção. Proteção do profissional, do cliente e do próprio setor contra a banalização da formação.
Ao final, a escolha entre mentoria ou certificação não é técnica. É de postura profissional. Mentorias passam. Conteúdos rápidos se tornam obsoletos. O que permanece é a formação consistente e a capacidade de sustentar decisões difíceis com segurança.
No mercado imobiliário, maturidade profissional não se improvisa. Ela se constrói.
Carreira se constrói, não se acelera.