O Brasil está envelhecendo, e o mercado imobiliário ainda não acordou

A discussão não é mais se o mercado imobiliário voltado ao público 60+ vai crescer.

Isso já está decidido pela demografia.

A verdadeira pergunta é: quem estará preparado quando essa demanda deixar de ser tendência e se tornar regra?

O Brasil passa por uma das transições demográficas mais rápidas do mundo. Segundo projeções do IBGE, até 2050 o país terá cerca de 70 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que representa quase um terço da população brasileira. Em termos práticos, estamos falando de um país que envelhece em ritmo acelerado, enquanto suas cidades continuam sendo projetadas como se todos tivessem 30 anos , para sempre.

Longevidade não é fragilidade

Um dos maiores erros do mercado é tratar esse público como um nicho assistencial. Ele não é.

A geração 60+ de hoje é ativa, saudável, conectada, viaja, consome, investe e decide. Muitos continuam trabalhando, empreendendo ou gerindo patrimônio. Eles não se reconhecem no estereótipo de “idosos frágeis” e rejeitam qualquer proposta que remeta a isolamento, dependência ou estética hospitalar.

Não querem asilos disfarçados de residenciais.

Não querem ser infantilizados.

Querem autonomia, conforto, design inteligente, segurança sem ostentação e vida em comunidade. Querem viver bem , por mais tempo.

A força econômica ignorada pelo mercado

Existe um dado que muda completamente essa conversa: o público 60+ movimenta aproximadamente R$ 1,6 trilhão por ano na economia brasileira. Trata-se de um dos segmentos com maior poder de consumo do país, sustentado por renda recorrente, patrimônio acumulado e menor volatilidade de decisão.

Além disso, pesquisas apontam que 68% dos brasileiros com mais de 60 anos preferem morar em apartamentos adaptados, com serviços integrados, em vez de viver com filhos ou permanecer em casas grandes e pouco funcionais.

A demanda é clara. O desejo também.

O que não acompanha esse movimento é a oferta.

Por que os empreendimentos atuais falham

O problema não é que pessoas com 70 anos não consigam viver sozinhas.

O problema é que os espaços não foram pensados para que elas vivam bem sozinhas.

Degraus desnecessários, iluminação inadequada, circulação mal resolvida, ausência de tecnologia de apoio, isolamento urbano e nenhum estímulo à convivência transformam a moradia em um obstáculo diário. O resultado é perda de autonomia , não por limitação física, mas por falha de projeto.

Enquanto isso, seguimos celebrando o aumento da expectativa de vida sem ajustar o ambiente onde essa vida acontece.

O que o mercado internacional já entendeu

Nos Estados Unidos e na Europa, o senior living já é uma indústria bilionária e madura. Lá, os empreendimentos voltados ao público 60+ seguem alguns princípios claros:

  • Acessibilidade invisível, integrada ao design
  • Tecnologia de monitoramento discreto
  • Espaços que estimulam convivência e atividades
  • Serviços integrados de saúde, lazer e cultura
  • Arquitetura que promove autonomia, não dependência

Não se trata de “moradia para idosos”, mas de moradia preparada para o tempo.

No Brasil, ainda estamos apenas começando a entender essa lógica , o que, do ponto de vista estratégico, representa uma oportunidade enorme.

Não é sobre idade. É sobre estilo de vida

O foco não está na longevidade em si, mas no estilo de vida que acompanha essa longevidade. O mercado imobiliário brasileiro ainda trata esse público como exceção, enquanto concentra esforços quase exclusivamente na Geração Z.

Do outro lado, existe um contingente crescente de pessoas ativas, com renda, patrimônio e desejo de morar bem, que movimenta a economia e busca soluções compatíveis com a vida que leva hoje — e pretende levar amanhã.

A maior oportunidade imobiliária das próximas décadas

Quem entender esse movimento agora não estará apenas atendendo uma nova demanda. Estará liderando a transformação mais relevante do mercado imobiliário brasileiro nas próximas décadas.

O cliente existe.

O capital existe.

O tempo está dado.

O que ainda falta é visão.

O mercado que souber unir design, tecnologia, autonomia, serviços e experiência urbana não apenas venderá mais , criará relevância, diferenciação e valor de longo prazo em um país que está redesenhando sua própria pirâmide etária.

 

CONHEÇA MAIS SOBRE SOPHIA MARTINS:

Nascida e criada na capital paulista, comecei na corretagem de imóveis após diversas experiências de atendimento na compra de imóveis e percebi um mercado de oportunidades, estimulando a superação de desafios que é meu maior combustível.

Certificada CIPS, uma das mais importantes certificações internacionais NAR – National Association of Realtors® EUA, foquei minha carreira em desenvolver e capacitar pessoas, utilizando os conceitos do mercado de luxo, empregados a todo e qualquer segmento do mercado imobiliário.

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