Comprar um imóvel é, para muitas famílias, a realização de um sonho. Para investidores, é uma estratégia de construção patrimonial. Mas em ambos os casos, existe um ponto em comum: o risco jurídico que envolve toda transação imobiliária.
E entre todos os equívocos que observo na prática, um dos mais frequentes — e também dos mais prejudiciais — é acreditar que um contrato particular, por si só, garante propriedade ou segurança.
Não garante. E nunca garantiu.
No Brasil, apenas o registro perante o Cartório de Registro de Imóveis transfere a propriedade.
Daí surge o alerta: quem não registra, não é dono.
Por isso, antes de qualquer assinatura ou pagamento, existe uma etapa indispensável e de caráter preventivo: a due diligence imobiliária.
Due diligence é a análise jurídica completa que avalia:
É, em síntese, a investigação que permite identificar se o imóvel é seguro, regular e apto para ser adquirido.
1) Evita comprar imóvel de quem não é dono
Um dos problemas mais comuns é a venda por pessoas que não têm legitimidade.
Sem o registro, qualquer contrato vira apenas papel — e o comprador, vulnerável.
2) Revela pendências que podem impedir o registro
Hipoteca, penhora, indisponibilidade, débitos de IPTU, usucapiões em andamento… tudo isso impacta diretamente a transferência.
3) Protege contra golpes e simulações
Anúncios falsos, procurações revogadas, vendas duplicadas e contratos de gaveta são mais comuns do que se imagina.
4) Evita prejuízos financeiros irreversíveis
Quando o comprador descobre o problema depois, a solução costuma ser muito mais cara do que a prevenção.
5) Permite que o comprador tome decisões conscientes
Segurança jurídica significa ter clareza do que se está comprando e das consequências do ato.
Boa-fé não substitui análise técnica.
Conversas, prints e promessas verbais não impedem um prejuízo.
Somente a certidão atualizada da matrícula e a análise jurídica completa conseguem revelar a situação real do imóvel.
Em qualquer hipótese, o ideal é que o advogado seja consultado antes de emitir o sinal, arras ou pagar valores de entrada.
Um imóvel irregular pode gerar:
A due diligence evita justamente isso: dor, prejuízo e arrependimento.
A compra de um imóvel é um ato econômico e afetivo. Envolve projetos de vida, sonhos familiares e o esforço de anos.
Por isso, não pode ser conduzida sem análise jurídica.
Due diligence não é custo.
É proteção.
É prevenção.
É o que separa um sonho realizado de um problema instaurado.
Blindar o patrimônio é um ato de responsabilidade consigo e com tudo aquilo que você construiu.

Advogada especialista em Direito Imobiliário e Tributário, com mais de 16 anos de experiência. Atua na regularização de imóveis, due diligence imobiliária, leilões, usucapião e adjudicação compulsória, oferecendo soluções jurídicas que garantem segurança, tranquilidade e valorização patrimonial.