Calma. Não estou dizendo que IA é o problema. Estou dizendo que o jeito que a maioria dos gestores implementa IA é.
O MIT Media Lab publicou um estudo chamado “Your Brain on ChatGPT” que deveria ser leitura obrigatória de todo líder que está empolgado com tecnologia.
Eles dividiram 54 pessoas em 3 grupos: um usava ChatGPT, outro usava Google, e o terceiro usava só o próprio cérebro. Todos tiveram a atividade cerebral monitorada por EEG ao longo de 4 meses.
No começo, o grupo do ChatGPT voou. Textos melhores, gramática impecável, velocidade absurda.
Mas quando pediram para esse mesmo grupo escrever sozinho, os pesquisadores encontraram algo perturbador: a conectividade neural deles era a mais fraca de todos os grupos. E o pior, quando perguntaram se aqueles textos eram deles, a maioria disse que não sentia autoria sobre o que escreveu.
Os pesquisadores chamaram isso de “dívida cognitiva.”
Toda vez que você terceiriza um esforço mental, o cérebro entende que não precisa mais fazer aquele trabalho. O que não é usado, atrofia. Só que aqui não estamos falando de um músculo qualquer, estamos falando da capacidade de pensar, interpretar e decidir.
E é exatamente aí que entra o papel do gestor.
Se você deu acesso ao ChatGPT para sua equipe e achou que o trabalho estava feito, eu tenho uma notícia ruim: você não implementou inteligência artificial. Você implementou preguiça artificial.
A Microsoft publicou um relatório sobre o futuro do trabalho com IA que confirma exatamente isso: sem treinamento adequado, os colaboradores perdem habilidades cognitivas essenciais, desde planejamento e julgamento até expertise técnica da própria função.
E a Gartner mostrou que apenas 8% dos líderes de RH acreditam que seus gestores estão preparados para liderar equipes usando IA de forma eficaz. Apenas 14% das organizações oferecem suporte real para que gestores integrem IA na rotina.
Ou seja: a maioria das empresas entregou um foguete na mão da equipe, sem manual de voo.
IA é uma ferramenta de amplificação, não de substituição cognitiva.
O papel do líder não é só contratar a melhor ferramenta. É garantir que a equipe continue pensando, mesmo quando a ferramenta pensa por ela.
Isso significa:
A maior ameaça da IA não é substituir seu emprego. É fazer você esquecer como pensar.
E como gestor, se você não está atento a isso, o emburrecimento da sua equipe é responsabilidade sua.
Invista em IA. Mas invista mais ainda em gente que sabe pensar sem ela.

Eu sou o Renato Oliveira, CEO da Black Marketing, agência especializada em marketing imobiliário com mais de R$ 2 bilhões em VGV impactado. Diretor de Marketing e Vendas da Carvalho Negócios Imobiliários e apresentador do ConteúdoImob Cast, um dos principais podcasts do mercado imobiliário brasileiro. Com 19 anos de experiência em marketing e vendas, sendo 8 dedicados ao setor imobiliário, atuei com mais de 200 empresas entre imobiliárias, construtoras, incorporadoras e loteadoras.