Autoconhecimento como diferencial para a alta performance

Muita gente fala em alta performance como se fosse só técnica, método e disciplina. Mas quase sempre ignora o ponto de partida real: autoconhecimento.

E é exatamente aí que o perfil comportamental entra como uma ferramenta poderosa — não para te colocar numa “caixinha”, e sim para te entregar um espelho com mais nitidez. Um bom assessment não define “quem você é”; ele revela como você tende a funcionar, principalmente quando o ambiente aperta.

Porque, no fim do dia, nossos resultados não vêm só do que sabemos. Eles vêm — principalmente — de como nos comportamosquando:

  • a pressão aumenta
  • o tempo encurta
  • o conflito aparece
  • a incerteza domina
  • a energia cai

E nesses momentos acontece um fenômeno importante: a gente não “decide” tanto… a gente repete padrões.

Em meu livro Hábitos Atômicos da Alta Performance explico no detalhe: performance não é um evento pontual, é a soma de pequenas escolhas repetidas, até virarem identidade e padrão. Sob estresse, você não sobe para o nível da sua motivação; você cai para o nível do seu sistema (rotinas, gatilhos, ambiente e hábitos). E o perfil comportamental ajuda justamente a enxergar qual sistema você está rodando, sem perceber.

Quando você entende seu perfil, começa a enxergar com mais clareza:

  • o que te move de verdade (o que te acende)
  • o que te desorganiza (seus gatilhos de queda)
  • como você comunica (e como o outro recebe)
  • onde o seu ponto forte, em excesso, vira o seu maior risco

Esse último ponto é decisivo. Muita gente acha que autoconhecimento é caçar defeitos. Na prática, a virada está em perceber que o seu “superpoder” tem um lado sombra:

  • quem é rápido e intenso pode virar atropelador sob pressão
  • quem é analítico pode virar travado quando a decisão exige velocidade
  • quem é agregador pode evitar conflito e perder autoridade
  • quem é dominante pode perder escuta e “comprar brigas” desnecessárias

Ou seja: não é que você “vira outra pessoa” quando o cenário complica. Você só entra no modo mais automático do seu próprio padrão — e paga o preço disso na liderança, na negociação e na consistência.

E esse é o ganho real do perfil comportamental: você deixa de agir no automático.

No meu outro livro, Mentalidade Vencedora, o ponto central não é “forçar positividade”. É construir consciência emocional + responsabilidade + direção. Consciência para reconhecer o padrão no momento em que ele começa. Responsabilidade para não terceirizar a reação (“eu sou assim mesmo”). Direção para escolher uma resposta mais estratégica, mesmo quando a emoção pede o caminho mais fácil.

Autoconhecimento, então, não é sobre “mudar quem você é”.
É sobre entender como você funciona para escolher melhor:

  • como responder, em vez de reagir
  • como liderar, sem repetir vícios de controle ou omissão
  • como negociar, sem perder valor (ou sem esmagar a relação)
  • como evoluir, com um plano que respeite seu jeito — e corrija seus excessos

Porque progresso, no fim, é isso: consciência + intenção + prática.

Consciência para enxergar o padrão.
Intenção para definir quem você quer ser naquele contexto.
Prática para transformar isso em hábito — pequeno, repetível, sustentável. Um “hábito atômico” por vez, alinhado com a mentalidade certa.

Se você nunca fez uma avaliação de perfil comportamental, talvez essa seja uma das conversas mais importantes que você pode ter… com você mesmo.

 

Ricardo Rocha Leal

Diretor de Incorporação, Comercial e Marketing da MS Empreendimentos. Corretor, especialista com mais de 15 Bilhões de VGV e mais 150 lançamentos. Autor, Professor e Palestrante.

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