O marketing imobiliário inicia 2026 em um ponto de inflexão, pressionado por mudanças no comportamento do consumidor, um calendário atípico e a intensificação da disputa no ambiente digital. A lógica tradicional baseada em produto, preço e localização segue relevante, mas já não responde plenamente às expectativas de um público mais informado, exigente e menos tolerante a fricções na jornada de compra. Para entender esse cenário, estudos produzidos por referências globais em tendências, como a WGSN, podem ajudar. O desafio, porém, está em usar esses insights com critério, em estratégias de fato aderentes à realidade concreta do mercado imobiliário.
De acordo com análises conduzidas pela Talk Strategic, consultoria especializada em estratégia e marketing, que se debruçou sobre os principais estudos globais de tendências, três forças atuam simultaneamente sobre as estratégias do setor neste ano: feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições, fatores que alteram padrões de atenção, consumo de mídia e custos de aquisição.
“A disputa pela atenção deixou de ser apenas entre marcas do mesmo setor”, afirma Flavia Schmidt, especialista em marketing e sócia-fundadora da Talk Strategic. Ela destaca que o marketing imobiliário hoje concorre com todo o ecossistema da economia da atenção, o que exige experiências mais relevantes, humanas e contextualizadas.
Nesse cenário, a eficácia das campanhas passa menos pelo volume de inserções e mais pela qualidade das experiências oferecidas, com foco em conteúdos sensoriais, narrativas próximas da vida real e jornadas digitais mais simples e coerentes com o cotidiano das pessoas.
Outro movimento destacado pela consultoria é a substituição da lógica tradicional de “público-alvo” por estratégias voltadas a microcomunidades, como nômades digitais, investidores de short stay, famílias multigeracionais e o público 55+ focado em bem-estar.
A inteligência de dados segue como pilar estratégico, mas demanda interpretação cultural, e o uso de dados precisa vir acompanhado de sensibilidade. “Não basta identificar padrões; é fundamental compreender o contexto cultural e emocional por trás das decisões de compra”, comenta.
Diante de um ambiente mais volátil e menos previsível, a construção de marca volta ao centro das decisões estratégicas. “Marcas com identidade clara, narrativa consistente e vínculos emocionais bem definidos tendem a capturar mais valor e reduzir custos de aquisição ao longo do tempo”, conclui.