Durante muitos anos, o mercado imobiliário foi liderado por excelentes vendedores. Corretores com histórico de grandes resultados, forte poder de negociação, carisma e facilidade de relacionamento naturalmente migraram para a gestão de imobiliárias.
Essa transição, no entanto, nem sempre vem acompanhada de estudo em gestão, processos e indicadores. E é nesse ponto que começam os desafios estruturais.
Um dos primeiros sinais de falta de processo é a centralização excessiva no dono. O gestor passa a resolver conflitos, fechar negócios, ajustar anúncios, cobrar equipe e tomar decisões operacionais o tempo todo. Sem processos claros, a operação funciona apenas com a presença constante do gestor. Isso limita crescimento, gera sobrecarga e impede escala. Negócios assim se tornam frágeis e dependentes.
Campeões de vendas costumam liderar pelo exemplo pessoal. O problema é que talento individual não é replicável. Quando não existe método estruturado, o time não aprende de forma consistente e os resultados não se repetem. Sem funil de vendas, indicadores e processos claros, cada corretor atua de uma forma diferente. Com o tempo, o sucesso deixa de ser previsível e passa a depender de fatores pontuais.
No início, a imobiliária pode até apresentar bons números. As vendas acontecem, o faturamento entra e o movimento é intenso. Porém, sem estrutura, surgem falhas no atendimento, queda de captação, perda de padrão comercial e dificuldade de conversão. O crescimento desorganizado costuma ser confundido com fase natural do negócio, quando na realidade é consequência direta da ausência de gestão estruturada.
O cenário atual exige mais preparo. O mercado está mais competitivo, mais técnico e mais orientado por dados. Gestão imobiliária hoje envolve domínio de processo comercial, funil de vendas, indicadores, liderança e visão de longo prazo. Histórico de vendas ajuda, mas não sustenta uma operação sem método. Imobiliárias que não acompanham essa evolução tendem a perder competitividade.
Imobiliárias que crescem de forma consistente são lideradas por gestores que unem experiência em vendas com estudo contínuo em gestão. São negócios baseados em processos claros, acompanhamento de números e desenvolvimento de equipes. Corretores que se tornam gestores e continuam estudando evoluem. Aqueles que acreditam que experiência passada é suficiente tendem a estagnar.
A Kin Imóveis é um exemplo claro dessa transição. A empresa foi criada por mim quando eu era corretora e campeã de vendas. Vender bem foi fundamental para o início do negócio, mas rapidamente ficou evidente que gestão é muito diferente de vender sozinha. Para profissionalizar a imobiliária, escalar resultados e construir um negócio sustentável, foi necessário buscar conhecimento em gestão, processos, indicadores e liderança. O estudo e a estruturação foram decisivos para transformar desempenho individual em resultado coletivo.
Gestão imobiliária é uma profissão diferente da venda. Exige preparo, visão estratégica e disciplina para construir processos replicáveis. Imobiliárias lideradas apenas por ex-campeões de vendas, sem investimento em gestão e processo, tendem a enfrentar estagnação, perda de padrão e dificuldade de crescimento sustentável. O mercado não premia improviso. Premia clareza, método e liderança.

Fundadora da Kin Imóveis, referência no mercado da Zona Sul de São Paulo. Advogada com especialização em Direito Imobiliário (FGV) e pós-graduação em Direito de Família, também cursa Engenharia Civil para aprofundar seu domínio técnico no setor. Mentora de corretores e donos de imobiliária, Keyla é especialista em gestão de alta performance, captação estratégica e estruturação de imobiliárias escaláveis. Sua atuação une experiência de campo, visão jurídica e modelo de negócios voltado para crescimento com previsibilidade e liderança.