Projetos pensados para o verão: o que muda na arquitetura de imóveis de temporada

O crescimento da locação por temporada em cidades litorâneas tem impactado diretamente a forma como os imóveis são projetados. Mais do que estética, a arquitetura passa a ter um papel estratégico: garantir conforto térmico, durabilidade, facilidade de manutenção e boa experiência para o usuário — especialmente durante a alta temporada de verão, quando o uso é mais intenso.

Projetar um imóvel de temporada exige decisões técnicas específicas, que diferem bastante de projetos voltados exclusivamente para moradia permanente. A seguir, destacamos os principais aspectos que mudam quando o projeto é pensado para o verão.

 

Ventilação natural como elemento central do projeto

Em regiões de clima quente e úmido, a ventilação natural deixa de ser um detalhe e se torna prioridade. Projetos bem resolvidos exploram a ventilação cruzada, com aberturas posicionadas de forma estratégica, permitindo a circulação constante do ar.

Além de proporcionar conforto térmico, a ventilação adequada reduz a dependência de sistemas artificiais de climatização, diminuindo o consumo de energia e os custos operacionais do imóvel — um fator valorizado tanto por proprietários quanto por usuários temporários.

 

Conforto térmico e proteção solar

Outro ponto fundamental em projetos de imóveis de temporada é o controle da insolação. A correta orientação solar da edificação, aliada ao uso de elementos como beirais, brises, varandas e sacadas, contribui para minimizar o ganho excessivo de calor nos ambientes internos.

Essas soluções passivas melhoram o desempenho térmico do edifício, aumentam o conforto dos usuários e reduzem o desgaste de acabamentos e equipamentos, especialmente durante os meses mais quentes do ano.

 

Escolha de materiais adequados ao clima litorâneo

O ambiente litorâneo impõe desafios específicos aos materiais de construção, principalmente devido à maresia, à umidade e à exposição solar intensa. Por isso, projetos voltados à locação de temporada priorizam materiais resistentes, duráveis e de baixa manutenção.

Revestimentos cerâmicos, concreto aparente, esquadrias adequadas ao ambiente marinho e acabamentos que facilitem limpeza e reposição são escolhas recorrentes. A durabilidade dos materiais impacta diretamente na conservação do imóvel e na redução de custos ao longo do tempo.

 

Plantas funcionais e flexíveis

Imóveis de temporada precisam atender a diferentes perfis de usuários: casais, famílias, grupos de amigos. Por isso, a planta arquitetônica tende a ser mais flexível e funcional.

Ambientes integrados, como sala, cozinha e varanda, favorecem a convivência e ampliam a sensação de espaço. Quartos bem dimensionados, com boa ventilação e iluminação natural, garantem conforto mesmo em períodos de ocupação máxima.

 

Valorização das áreas externas e de convivência

No verão, as áreas externas ganham protagonismo. Varandas funcionam como extensão da área social, enquanto espaços de apoio — como duchas externas, bicicletários e áreas comuns bem planejadas — agregam valor ao imóvel e melhoram a experiência do usuário.

Em empreendimentos com áreas compartilhadas, o projeto arquitetônico deve equilibrar funcionalidade, durabilidade e fácil manutenção, considerando o uso intenso típico da alta temporada.

 

Facilidade de manutenção e operação

A alta rotatividade de usuários exige soluções práticas. Projetos bem pensados reduzem recortes desnecessários, priorizam acabamentos resistentes e facilitam a limpeza e a manutenção do imóvel.

Essa abordagem não apenas prolonga a vida útil da edificação, mas também contribui para melhores avaliações em plataformas de locação por temporada, impactando diretamente na taxa de ocupação e no valor das diárias.

 

Arquitetura como diferencial competitivo

Em um mercado cada vez mais concorrido, a arquitetura se torna um diferencial decisivo. Imóveis bem projetados se destacam, oferecem melhor experiência ao usuário e apresentam maior retorno financeiro ao investidor.

Projetar pensando no verão é compreender o uso real do imóvel, antecipar problemas e transformar decisões técnicas em valor percebido pelo mercado.

 

Conclusão

Projetos arquitetônicos voltados para imóveis de temporada exigem uma abordagem estratégica, que vai além da estética. Ventilação, conforto térmico, escolha de materiais, funcionalidade e manutenção são fatores determinantes para o sucesso do empreendimento.

Nesse contexto, o arquiteto assume um papel fundamental, contribuindo para que o imóvel seja não apenas bonito, mas eficiente, durável e competitivo — especialmente em cidades onde a alta temporada dita o ritmo do mercado imobiliário.

 

CONHEÇA MAIS SOBRE A AUTORA DESTE POST:

Rosana Kaus

Arquiteta e Urbanista

Formada e atuante na área há mais de 10 anos.

Especialista em projetos arquitetônicos e regularização de imóveis.

Sócia no escritório de arquitetura Kaus_Copetti, uma empresa especializada em serviços de arquitetura, com foco na aprovação de projetos, regularização de imóveis, house flipping e estudo de viabilidade para empreendimentos.

@rosanakaus | @kaus_copetti

contato@kausecopetti.com.br

 

Referências

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15220 – Desempenho térmico de edificações.
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15575 – Edificações habitacionais – Desempenho.
  • GIVONI, B. Climate Considerations in Building and Urban Design. New York: Van Nostrand Reinhold, 1998.
  • LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. São Paulo: PW Editores, 2014.
  • ROMÉRO, M. A.; REIS, L. B. Eficiência energética em edifícios. Barueri: Manole, 2012.

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