Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira (10/12/2025), o mercado imobiliário enfrenta um dos momentos mais desafiadores das últimas duas décadas. A decisão mantém o crédito imobiliário em patamares elevados, reduzindo o poder de compra e exigindo estratégia dos consumidores que sonham com a casa própria.
Raphael Mançur, advogado especialista em Direito Imobiliário, à frente do escritório Raphael Mançur Advogados Associados, explica que financiar um imóvel no atual cenário significa assumir parcelas mais altas e um custo total muito maior ao longo dos anos. “A taxa básica permanece no maior patamar em quase duas décadas, o que mantém o crédito imobiliário caro e reduz a capacidade de compra do consumidor”, afirma.
Para quem está na dúvida entre financiar agora ou aguardar uma possível queda nos juros, o especialista apresenta os prós e contras de cada decisão.
Segundo Mançur, mesmo com juros elevados, existem oportunidades no mercado. “Há possibilidade de encontrar boas oportunidades, já que a demanda diminui com juros altos”, destaca o advogado. Com menos compradores ativos no mercado, os vendedores podem estar mais flexíveis para negociar valores.
Outro ponto positivo é para quem tem urgência ou encontrou um imóvel muito específico. Nesses casos, pode haver maior margem para negociar o preço. Além disso, existe a alternativa futura de portabilidade de crédito caso as taxas caiam, permitindo migrar para condições mais vantajosas posteriormente.
Por outro lado, os contras pesam significativamente. Mançur é enfático ao apontar que os juros elevados aumentam drasticamente o valor total financiado. “As parcelas iniciais mais altas comprometem a renda e o custo do crédito permanece pressionado enquanto a Selic está elevada”, alerta.
O impacto no bolso pode ser sentido por anos. Um financiamento de 30 anos com juros de 12% a 14% ao ano pode resultar em um valor total pago que é o dobro ou até o triplo do valor original do imóvel.
Apesar da manutenção atual da Selic em 15%, o mercado trabalha com projeções mais otimistas para o início de 2026. “O mercado projeta que a Selic possa iniciar um ciclo de queda entre janeiro e março de 2026, caso o cenário inflacionário e fiscal permita”, explica Mançur.
Para quem já encontrou o imóvel ideal, mas não quer financiar com a Selic atual de 15%, Raphael Mançur apresenta uma solução estratégica que pode fazer toda a diferença no orçamento familiar.
“Uma boa estratégia é negociar com o vendedor a assinatura de um Instrumento de Compromisso de Compra e Venda com prazo de três a quatro meses para formalizar o contrato definitivo. O comprador pode adiantar apenas a parte que pagaria com recursos próprios, garantindo o negócio sem assumir contratar o financiamento no atual momento com a taxa de juros mais elevada”, explica Mançur.
Essa estratégia permite que o comprador “segure” o imóvel agora e aguarde a possível queda da Selic entre janeiro e março de 2026. Se as taxas realmente começarem a cair, ele entra com o financiamento já em condições mais favoráveis, pagando menos juros no longo prazo e sem correr o risco de perder o imóvel encontrado.
A decisão entre financiar agora ou esperar não é simples e depende das circunstâncias individuais de cada comprador. “É fundamental avaliar a urgência da compra, a capacidade financeira para arcar com parcelas mais altas e as perspectivas reais de queda da Selic no curto prazo”, orienta Mançur.
O especialista recomenda que os interessados busquem orientação jurídica especializada antes de assinar qualquer compromisso. Um contrato bem elaborado pode proteger o comprador e garantir a segurança jurídica necessária para executar a estratégia de forma eficaz.
Com a Selic em 15% e expectativas de queda apenas no primeiro trimestre de 2026, planejar com cuidado pode significar economia de dezenas de milhares de reais ao longo do financiamento imobiliário.
